segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

📰 Tchitundo-Hulo Parte 2: O Morro Sagrado de Angola – História, Arte e Futuro no Sudoeste do Namibe

Num recanto árido do sul de Angola, onde o vento parece sussurrar histórias antigas, ergue-se um monte granítico carregado de significado: Tchitundo-Hulo. Este sítio arqueológico não é apenas um conjunto de pedras com desenhos antigos. É um documento cultural vivo, um testemunho silencioso de povos que habitaram estas terras muito antes das fronteiras modernas existirem.

  • O Que é Tchitundo-Hulo
Tchitundo-Hulo é um complexo de estações de arte rupestre — com designações como Mulume, Mucai, Pedra das Zebras e Pedra da Lagoa — espalhadas por cerca de um quilómetro na região semiárida de Capolopopo, município de Virei, província do Namibe. As formas gravadas ali vão de círculos concêntricos e linhas geométricas a figuras humanas e animais, compondo alguns dos vestígios mais antigos de arte pré-histórica em território angolano.

Os primeiros estudos científicos sobre o local remontam aos anos 1950, quando foi oficialmente registado por investigadores. Desde então, arqueólogos e estudiosos têm reconhecido o seu enorme valor histórico e cultural para a compreensão das antigas ocupações humanas na África Austral.


  • Pontes Entre Passado e Presente
Enquanto na minha primeira publicação sobre Tchitundo-Hulo explorei o lado mais sensível, imaginativo e artístico das gravuras — procurando sentir o espírito do lugar e traduzir visualmente o seu mistério — hoje volto ao tema com uma abordagem mais informativa e contextual.

Não se trata de substituir a visão artística, mas de complementá-la com dados históricos e científicos. Aquilo que antes apresentei como intuição criativa encontra agora eco em estudos arqueológicos que confirmam a importância do sítio como um dos mais relevantes da arte rupestre em Angola.

O próprio nome Tchitundo-Hulo, associado a interpretações como “morro sagrado”, “morro do céu” ou “morro das almas”, revela que este espaço não era apenas físico, mas também espiritual para as comunidades antigas que por ali passaram.

  • Ao Património Cultural Angolano em Destaque
Tchitundo-Hulo integra o conjunto de bens culturais que o Estado angolano tem vindo a valorizar como parte essencial da identidade nacional. A sua proposta para reconhecimento internacional reforça a necessidade de proteger e estudar este património, não apenas como relíquia do passado, mas como fundamento da memória cultural angolana.


Falar de Tchitundo-Hulo é falar de um tempo anterior às divisões políticas, anterior até a muitos dos povos que hoje compõem Angola. É reconhecer que o território já era espaço de pensamento simbólico, expressão artística e visão espiritual há milhares de anos.

  • Desafios e Responsabilidade
Apesar da sua importância, o sítio enfrenta ameaças reais. A erosão natural provocada pelo clima desértico, aliada à ausência de proteção adequada e à visitação sem acompanhamento especializado, pode comprometer a preservação das gravuras.

Por isso, valorizar Tchitundo-Hulo também significa defender a educação patrimonial, o respeito pelos sítios históricos e o envolvimento das comunidades locais na sua preservação.

Ao regressar a este tema, reforço que Tchitundo-Hulo não é apenas um objeto de estudo ou contemplação estética. É um símbolo profundo da continuidade cultural em Angola.

Se na minha primeira publicação procurei sentir o mistério das pedras, hoje procuro sublinhar a sua importância histórica e patrimonial. Porque preservar Tchitundo-Hulo não é apenas proteger gravuras antigas — é honrar a memória coletiva, fortalecer a identidade cultural e garantir que as gerações futuras ainda possam olhar para aquelas rochas e perguntar, com o mesmo espanto: quem fomos nós, afinal?

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